Wednesday, June 07, 2006

Monogamia, eis a questão...

Ontem à noite uma calor que não se podia. Que fazer? Ir para uma esplanada, enfiar umas bejecas e jogar conversa fora. Nada melhor! Eu e dois gajos. A conversa viajou por todos os lugares, não se perdeu em contemplações pelos ausentes e terminou numa interessante discussão sobre a monogamia. Somos ou não talhados para esta estranha forma de vida? Confesso que a minha posição em relação a este assunto, de suma importância, não é de todo clara. Por um lado acho que sim, que monogamia é que é. Mas não sei se esta minha posição não se fundamenta numa opinião culturalmente informada. Ou seja, nós mulheres sabemos bem que quando a monogamia não existe, a sua inexistência só privilegia os homens. Estes podem ter 20 mulheres, cada uma das 20 tendo no entanto de se manter ‘monogamica’. Portanto, histórica e culturalmente a monogamia nunca se traduziu em vantagens para o sexo feminino. Bem pelo contrário. Contudo, gostava sinceramente de conhecer alguém que tendo uma relação estável e supostamente monogamica nunca tenha sequer pensado em ‘trair’ o outro. Alguém que nunca tenha sentido desejo, atracção, curiosidade por outro(a) que não aquele(a) com quem partilha o seu monogamico dia-a-dia. Significará isto a impossibilidade de essas duas pessoas continuarem juntas? A própria concretização do desejo furtuito, será mesmo um indício de desamor?

1 Comments:

At 4:33 pm, Anonymous Anonymous said...

Claro que fidelidade só o é perante a possibilidade de trair. Isto é se estivermos tão apaixonados / obcecados por outra pessoa que não conseguimos ver mais ninguém, não é habilidade nenhuma ser monogâmico. Já quando somos capazes de discriminar no ambiente outros estímulos afectivos / sexuais e no entanto nos mantemos fieis, seja pela razão que for, aí sim podemos falar em fidelidade e monogamia por opção.
Como quase tudo nesta vida é uma questão de capacidade de nos mantermos ou não fieis aos nossos compromissos...

 

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